segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

03 - Nova antologia do conto russo (1792 - 1998)


03 - Antologia organizada por Bruno Barreto Gomilde; Nova antologia do conto russo (1792 - 1998); Editora 34; 2011; 648 páginas – Período de leitura: 16/02/13 - 03/04/13 

Comentário: 
Esta não é apenas uma simples antologia, é muito mais que isso, é um trabalho seríssimo constituído quase que só por obras inéditas de grandes mestres da prosa russa como: Dostoiévski, Tolstói, Gogól e Púchkin, só pra citar os mais conhecidos, mas na verdade são 40 contos de peso de 40 grandes mestres que por sua vez apresentam um rico panorama da literatura russa ao longo da história começando com um triste e tenebroso conto de amor de Nicolai Karamzin de 1792. Já o segundo, um conto de Púchkin, é uma espécie de aventuroso diário de viagem que mistura memória e ficção e que relata a viagem a Arzrum (baseado em uma ida ao Cáucaso), atravessando esta colcha de retalhos que é a mãe Rússia, tanto em paisagens como em línguas e nações.

O trecho abaixo foi retirado do conto Taman, de Mikhail Liérmontov; cito para exemplificar a genialidade e a maestria da prosa russa:

“À tardinha, eu a retive na entrada de sua casa e lhe disse:

— Diga-me, beleza — disse eu — o que estava fazendo no telhado hoje?

— Estava vendo de onde soprava o vento.

— E por que queria sabê-lo?

— De onde sopra o vento, sopra a felicidade.

— Você cantava a sua canção para lhe dar sorte, então?

— Onde se canta, se é feliz.

— E se sua canção não lhe trouxer felicidade?

— E dai? Onde não for melhor, será pior; do bem ao mal, a distância é pouca.

— Mas quem lhe ensinou esta canção?

— Ninguém ensinou; fico imaginado e canto. Quem deve ouvir, ouve; quem não deve, não entende.

— E qual é seu nome, minha cantora?

— Quem me batizou, sabe.

— E quem a batizou?

— Como eu vou saber?”...


- Temos também um maravilhoso conto da fase inicial de Dostoievski, em que aparece o primeiro de uma série de bufões/filósofos dostoievskianos - Polzunkov, e na sequência um assustador conto de guerra: Quatro dias de Vsiévollod Gárchin. Mas nada se iguala ao espetacular e surpreendente O sonho de Makar de Vladmir Korolienko - lembra um pouco o nosso O auto da compadecida de Ariano Suassuna, pois trata de um julgamento de um inteligente falecido que apela para a justiça divina e consegue mudar sua sentença...


NOVA ANTOLOGIA DO CONTO RUSSO (1792-1998)


Organização de Bruno Barretto Gomide
1. Pobre Liza (1792), Nikolai Karamzin
2. Viagem a Arzrum (1836), Aleksandr Púchkin
3. A carruagem (1836), Nikolai Gógol
4. A sílfide (1837), Vladímir Odóievski
5. Taman (1839), Mikhail Liérmontov
6. Polzunkov (1848), Fiódor Dostoiévski
7. Relíquia viva (1852), Ivan Turguêniev
8. Quatro dias (1877), Vsiévolod Gárchin
9. Viagem com um niilista (1882), Nikolai Leskov
10. Contos do major Gorbiliov, (Primeira noite)
(1884), Mikhail Saltikov-Schedrin
11. O sonho de Makar (1885), Vladímir Korolienko
12. O inquérito (1894), Aleksandr Kuprin
13. Ariadne (1895), Anton Tchekhov
14. Luz e sombras (1896), Fiódor Sologub
15. O abismo (1902), Leonid Andrêiev
16.Depois do baile (1903), Lev Tolstói
17. Um dia humano (1910), Arkadi Aviértchenko
18. Vendetta (1911), Maksim Górki
19.Dia de Páscoa (1911), Velimir Khliébnikov
20.Tempo do cão (1911), Nadiéjda Téffi
21. Cartas de Tula (1918), Boris Pasternak
22. A caverna (1920), Ievguêni Zamiátin
23. O caça-ratos (1924), Aleksandr Grin
24.Insolação (1925), Ivan Búnin
25. A crise (1925), Mikhail Zóschenko
26. O vadio Eduard (1925), Valentin Katáiev
27. Liompa (1928), Iuri Oliécha
28.Makar, o duvidador (1929), de Andrei Platónov
29.Guy de Maupassant (1932), Isaac Bábel
30. Como o Robinson foi criado (1933), Ilf e Petrov
31. Primavera em Fialta (1936), Vladímir Nabókov
32. Conexão (1937), Daniil Kharms
33. Neve (1943), Konstantin Paustóvski
34. Às avessas (1952), Aleksei Riémizov
35.Xerez (1958), Varlam Chalámov
36.Dá-lhe, coração! (1973), Vassili Chukchin
37. Noite (1988), Tatiana Tolstaia
38. A dama dos cachorros(1990), Liudmila
Petruchévskaia
39. Na rua e em casa (1995), Serguei Dovlátov
40. Um mês em Dachau (1998), Vladímir Sorókin

Sinopse da editora:

"Quarenta autores, quarenta contos, duzentos anos da melhor prosa russa reunida em um único volume.

Organizada por Bruno Barretto Gomide, professor da Universidade de São Paulo, esta antologia - a primeira no país inteiramente traduzida do russo e composta quase só de obras inéditas em português - apresenta ao leitor um rico panorama da literatura russa ao longo da história, iniciando-se em fins do século XVIII, com Nikolai Karamzin, e chegando até nossos dias, com Serguei Dovlátov, Liudmila Petruchévskaia, Tatiana Tolstaia e Vladímir Sorókin. Entre esses dois extremos, estão presentes todos os grandes nomes, como Púchkin, Gógol, Dostoiévski, Turguêniev, Tchekhov, Tolstói, Górki, Pasternak, Bábel e Nabókov, mas também vários outros menos conhecidos, porém igualmente importantes - Gárchin, Odóievski, Saltikov-Schedrin, Katáiev, Grin, Chalámov, Kharms, Platónov -, alguns deles nunca antes publicados no Brasil. 

         Para além dos grandiosos romances de Tolstói e Dostoiévski que, com seus debates de questões morais e existenciais, consagraram a literatura do país em todo o mundo, esta antologia vem mostrar que, na arte do conto, tanto em número como em qualidade - e abarcando uma diversidade de tons e temas -, os russos são igualmente magistrais.

Traduções de Arlete Cavaliere, Aurora Fornoni Bernardini, Boris Schnaiderman, Cecília Rosas, Daniela Mountian, Denise Sales, Fátima Bianchi, Graziela Schneider, Lucas Simone, Mário Ramos, Moissei Mountian, Natalia Marcelli de Carvalho, Nivaldo dos Santos, Noé Silva e Yulia Mikaelyan."

Sobre o organizador:
Bruno Barretto Gomide nasceu no Rio de Janeiro em 1972. É doutor pela Unicamp, com estágio de doutorado CAPES na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Realizou cursos nas Universidades de Illinois, Indiana, Cambridge e Linguística de Moscou. Desde 2005 é professor de literatura russa na USP, e atualmente coordena a pós-graduação da área. Foi pesquisador-visitante no Instituto Górki de Literatura Mundial, em Moscou (com apoio da FAPESP). É o organizador do GT de Literatura Russa da ABRALIC. Tem publicado artigos em periódicos internacionais (como o Tolstoy Studies Journal e o Vopróssi Literaturi) e participado dos principais congressos de eslavística. Publicou o livro Da estepe à caatinga: o romance russo no Brasil (1887-1936) pela Edusp, fruto de sua tese de doutorado (menção honrosa no prêmio de teses da CAPES no triênio 2004-2007).

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

02 - Dois sonhos - O sonho do titio e Sonhos de Petersburgo em verso e prosa

02 - Fiódor Dostoiévski; Dois sonhos, O sonho do titio e Sonhos de Petersburgo em verso e prosa; Editora 34; 2012; 240 páginas – Período de leitura: 03/02/13 - 16/02/13



Comentário: 
Assim como no romance cômico A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes, aqui, em O sonho de titio o Dostoéviski que se vê é completamente desconhecido para quem lê seus clássicos romances, que são sempre carregados de cenas densamente dramáticas, envoltas em crises existenciais, e tendências a assassinato e suicídio, etc., nesta breve novela Dostoéviski é dado a comicidade, a situações hilárias e escandalosas. A história em si não  é complexa, porém a genialidade com que Dostoéviski cria situações ridículas e hilariantes faz com que esta novela seja completamente imprevisível, sendo um susto a cada página.  


Sinopse da editora:
"Este volume reúne dois textos ficcionais de Fiódor Dostoiévski que se articulam não pelo gênero, mas por aquela percepção extremamente aguçada que tende a descobrir, por meio da ironia e do confronto entre diferentes pontos de vista, os ângulos mais incomuns da realidade.

Em O sonho do titio, de 1859 - ano em que o escritor retorna a São Petersburgo após um longo período de exílio na Sibéria -, a narrativa toma a forma da comédia de costumes e da crônica de província para promover um desmascaramento geral da sociedade russa, particularmente de sua aristocracia às vésperas de importantes transformações históricas, que ela parece absolutamente não enxergar.

Já em Sonhos de Petersburgo..., folhetim de 1861, Dostoiévski apaga deliberadamente as fronteiras entre a prosa e a poesia para construir uma visão ao mesmo tempo crítica, cômica e fantástica da cidade construída por Pedro, o Grande - tudo isso vazado num registro que oscila entre o devaneio, a epifania e a mais lúcida observação. Em comum, os dois sonhos de Dostoiévski - traduzidos por Paulo Bezerra diretamente do original russo - trazem o impulso do humor anárquico de Nikolai Gógol (1809-1852), que subverte as expectativas e, com as armas do absurdo e do nonsense, renova de modo surpreendente o nosso olhar sobre o mundo."

Sobre o autor:

"Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski nasceu em Moscou a 30 de outubro de 1821, e estreou na literatura com Gente pobre, em 1844. Após ser preso e condenado à morte pelo regime czarista em 1849, teve sua pena comutada para quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria, experiência retratada em Recordações da casa dos mortos (1861). Após esse período, escreve uma sequência de grandes romances, como Crime e castigo e O idiota, culminando com a publicação de Os irmãos Karamázov em 1880. Reconhecido como um dos maiores autores de todos os tempos, Dostoiévski morreu em São Petersburgo, a 28 de janeiro de 1881."
Sobre o tradutor:
"Paulo Bezerra estudou língua e literatura russa na Universidade Lomonóssov, em Moscou, e foi professor de teoria da literatura na UERJ e de língua e literatura russa na USP. Livre-docente em Letras, leciona atualmente na Universidade Federal Fluminense. Já verteu diretamente do russo mais de quarenta obras nos campos da filosofia, psicologia, teoria literária e ficção, destacando-se suas premiadas traduções de Crime e castigo, O idiota, Os demônios e Os irmãos Karamázov, de Dostoiévski. Em 2012 recebeu do governo da Rússia a Medalha Púchkin, por sua contribuição na divulgação da cultura russa no exterior."


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

01 - Grandes esperanças


01 - Charles Dickens; Grandes esperanças; Penguin Companhia; 2012; 704 páginas – Período de leitura: 06/01/13 - 03/02/13 

Comentário:
Este livro de tão perfeito que é, quase não há o que falar dele. ...a não ser a sensação de completa plenitude e de ter lido um grande romance. Grandes esperanças é perfeito na forma como é escrito; sua escrita é lúdica e ilustrativa e sua história, comovente e melancólica; e é impossível não simpatizar com Pip o protagonista. 
Charles Dickens é autor de outras grandes obras como: Oliver Twist , David Copperfield e no já citado aqui neste blog, um conto de natal. Dickens escreve com um humor um tanto sardento, beirando o humor negro, enfim com toda a grandiosidade de um clássico inglês...
... e por sinal, comemorou-se em 7 de Fevereiro de 2012 o bicentenário do nascimento de Dickens, e fomos presenteados com o filme Grandes Esperanças, com Jeremy Irvine, Ralph Fiennes e Helena Bonham Carter, bem mais fiel ao romance já que o último filmado em 1998 com Ethan Hawke, Gwyneth Paltrow, Hank Azaria e Robert de Niro, é uma adaptação moderna deste poderoso clássico. ...e já me esquecendo do clássico de 1946, de David Lean... porém leia o livro!

Sinopse da editora:

"Se Charles John Huffman Dickens (1812-1870) foi um escritor irônico e contundente, comGrandes esperanças provou-se capaz também de ser contido e reflexivo, ao produzir o seu último romance. O livro mostra Dickens no auge da forma, produzindo uma história de desilusão que mais tarde seria saudada por autores como George Bernard Shaw e G. K. Chesterton pela perfeição narrativa. 

A grande característica de Grandes esperanças é ser uma história de redenção moral do protagonista, Pip, um órfão criado rigidamente pela irmã num lar humilde e disfuncional, que, após herdar inesperadamente uma fortuna, rejeita a família e os amigos por se envergonhar da própria origem. 

No começo conhecemos o infortúnio de Pip, o narrador que vive aterrorizado pela irmã mais velha que, após a morte dos pais, o criou “com a mão de ferro”, bordão para a maneira rígida e por vezes violenta com que trata o filho de criação e também o marido, o ferreiro Joe Gargery. Sua vida começa a mudar com o inesperado convite para que passe a visitar Miss Havisham, uma mulher rica da aldeia, e seja companhia de sua filha adotiva, Estella. Pip imediatamente tem uma queda pela garota, sentimento que se transformará em amor durante a vida adulta e o conduzirá à imoralidade. 

A vida de Pip sofre uma reviravolta ainda maior quando, já se preparando para o ofício de ferreiro, recebe a visita de um advogado, que anuncia que o jovem é herdeiro de uma fortuna. Após abandonar a família para viver em Londres, Pip passa a desprezar a sua vida anterior, tentando tornar-se digno de se casar com Estella, que, no entanto, não se interessa por seus sentimentos. 

Dividido em três partes, discutindo a bondade, a culpa e o desejo, o romance originalmente foi escrito como um folhetim e publicado na revista semanal All the Year Round, entre dezembro de 1860 e agosto de 1861, tornando-se um grande sucesso. Dickens toma o cuidado de não buscar a empatia fácil com o leitor, fazendo de Pip um personagem sincero em sua imoralidade e, quando se arrepende, na busca pela redenção."
Alguns filmes:




segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

36 - A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes

36 - Fiódor Dostoiévski; A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes; Editora 34; 2012; 352 páginas – Período de leitura: 23/12/12 - 05/01/13 

Comentário: 
Em A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes, Dostóievski é perspicaz quando brinca com valores e costumes de sua época como a servidão, a divisão de classes e o sistema de patentes russo. Com muita ironia e sagacidade Dostóievski cria personagens caricatos, grandiosos e por vezes déspotas ou subservientes, e como se já não bastasse pela grandeza dos personagens, constrói uma trama intrincada de relações entre pessoas em que nada é o que parece ser. 

A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes inicialmente foi idealizada como uma peça depois passou a ser um romance cômico, mas na minha opinião esta obra é uma verdadeira ópera por ser teatral, por sua comédia e composição dramática, basta adicionarmos uma orquestra sinfônica tenores e sopranos...



Sinopse da editora:
"Publicado em 1859, o romance A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes marcou a volta de Dostoiévski ao mundo da literatura após quase dez anos de exílio na Sibéria. Idealizada primeiramente como uma peça, a obra revela uma faceta cômica do autor, inspirada tanto nos textos como na figura de Gógol. Essa referência aparece não apenas na ambientação, mas também no memorável personagem de Fomá Fomitch Opískin - segundo Thomas Mann, "uma criatura cômica de primeira grandeza, irresistível, equiparável às de Shakespeare e Molière" -, o antigo bufão que passa a tiranizar, de maneira a mais absurda, a casa em que vive como agregado.
Neste livro em que Dostoiévski diz ter colocado "sua alma, sua carne e seu sangue", o jovem narrador Serguei Aleksándrovitch, levado ao ambiente extravagante da propriedade de seu tio, encontra ali uma espécie de micromundo farsesco, cheio de tramas e complôs, no qual cada personagem assume uma voz distinta. Prova do humor inusitado de Dostoiévski, A aldeia de Stepántchikovo traz vários dos ingredientes essenciais de sua poética, bem como a inesquecível galeria de tipos humanos que povoam sua literatura - e que encontraram nos desenhos de Darel Valença Lins uma tradução gráfica da mais alta qualidade."
Sobre o autor:
"Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski nasceu em Moscou a 30 de outubro de 1821, e estreou na literatura com Gente pobre, em 1844. Após ser preso e condenado à morte pelo regime czarista em 1849, teve sua pena comutada para quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria, experiência retratada em Recordações da casa dos mortos (1861). Após esse período, escreve uma sequência de grandes romances, como Crime e castigo e O idiota, culminando com a publicação de Os irmãos Karamázov em 1880. Reconhecido como um dos maiores autores de todos os tempos, Dostoiévski morreu em São Petersburgo, a 28 de janeiro de 1881."
Sobre o tradutor:
"Lucas Simone nasceu em São Paulo, em 1983, e formou-se em História pela Universidade de São Paulo. É professor de língua russa e tradutor, tendo publicado a peça Pequeno-burgueses e A velha Izerguil e outros contos, ambos de Maksim Górki (Hedra, 2010). Traduziu ainda os contos "A sílfide", de Odóievski; "O inquérito", de Kuprin; "Ariadne", de Tchekhov; "Vendetta", de Górki; e "Como o Robinson foi criado", de Ilf e Petrov, para a Nova antologia do conto russo (1792-1998), organizada por Bruno Barretto Gomide (Editora 34, 2011)."
Sobre o ilustrador:
"Darel Valença Lins nasceu em Palmares, PE, em 1924. Em 1941 transfere-se para o Recife, onde trabalha no Departamento Nacional de Obras e Saneamentos e frequenta a Escola de Belas Artes. Em 1946 é transferido pelo DNOS para o Rio de Janeiro. Nesta cidade cursa gravura em metal no Liceu de Artes e Ofícios, tendo como professor Henrique Oswald, e trava amizade com artistas como Marcelo Grassmann, Lívio Abramo e Oswaldo Goeldi, além do escritor Lúcio Cardoso. Na década de 1950, passa a lecionar litografia na Escola Nacional de Belas Artes e inicia intensa atividade como ilustrador em livros, jornais e revistas. Com vários prêmios no currículo, como o Prêmio de Viagem ao Exterior do Salão de Arte Moderna de 1957 e o Prêmio de Melhor Desenhista Nacional na VII Bienal de São Paulo de 1963, Darel vive hoje no Rio de Janeiro, onde mantém seu ateliê."

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

35 - Literatura Brasileira - Modos de usar


35 - Luís Augusto Fischer; Literatura Brasileira - Modos de usar; LP&M; 2008; 144 páginas – Período de leitura: 20/12/12 - 23/12/12 

Comentário:
O que me levou a ler este pequeno guia foi a sensação de que não conheço e tenho que ler mais literatura brasileira. – com certeza muitos brasileiros devem ter a mesma sensação alguma vez na vida. – Não que não tenha lido..., tive o prazer de ler Os Sertões de Euclides da Cunha, o clássico dos clássicos, um dos melhores e mais completos livros que já li, para mim o ponto máximo da literatura e da alma brasileira. Li também de tradição mais intimista o excelente Ateneu de Raul Pompéia e, Noite na Taverna/Macário do ultra romântico Alvares de Azevedo, o Maneco, entre outros.

Sinopse da editora:
"Você leu Machado de Assis na escola e não gostou? Não chegou nem sequer à metade de Grande sertão: veredas? Se arrepia só de ouvir a palavra "arcadismo" e acha que "literatura brasileira" é sinônimo de algo enfadonho?
Saiba que você não está só e que há, sim, maneiras de desfrutar o melhor que o Brasil oferece em matéria de romances, contos, poemas e crônicas. Como diz Luís Augusto Fischer na apresentação, este livro é destinado ao "sujeito disposto a ler mais e melhor." Ou seja: muito mais do que apenas para professores e estudantes, Literatura brasileira: modos de usar é para todos aqueles que por alguma razão não leram os livros decisivos produzidos por autores brasileiros, que não sabem por onde começar e não têm tempo a perder. Sem se ater a classificações simplistas, Fischer – professor com larga experiência no riscado – abre os olhos do leitor para os pontos mais interessantes dessa que é das nossas mais ricas formas de expressão.
Com um estilo tão pessoal quanto cristalino, despojado de academicismos e que parece um bate-papo entre amigos, o autor revela as principais vertentes da cultura escrita brasileira e ilumina a trajetória de escritores e movimentos – fornecendo ao leitor pontos de apoio a partir dos quais se localizar. Literatura brasileira: modos de usar – um verdadeiro companheiro de viagem, uma forma deliciosa de se inteirar da cultura do país."




quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

34 - Aventuras inéditas de Sherlock Holmes


34 - Sir Arthur Conan Doyle; Aventuras inéditas de Sherlock Holmes; LP&M; 2010; 248 páginas – Período de leitura: 12/12/12 - 19/12/12 

Comentário:
A escrita,... à forma como Sir Arthur Conan Doyle escreve é sem dúvida perfeita, ela possui algo que é muito atraente. É aquele tipo de escrita que te leva a continuar lendo, mais e mais, até a última letra da ultima página. Bom, não foi à toa que Sir Conan Doyle concebeu umas das maiores personalidades, o mundialmente conhecido Sherlock Holmes. Na verdade foi à toa sim, foi quase sem querer que Sherlock Holmes foi concebido. Até porque essa idéia não era tão original assim. Foi pensando em C. Auguste Dupin criado por Edgar Allan Poe, um detetive com ajudante e tudo que resolvia seus casos usando método dedutivo que nasceu Sherlock Holmes. Porém Sir Conan Doyle escreveu sobre Sherlock Holmes com tamanha maestria que chegou a ser confundido varias e varias vezes com sua própria criação.

Histórias contidas neste volume:
"A verdade sobre Sherlock Holmes"
"O mistério da casa do tio Jeremy"
"Bazar no campus"
"O caso do homem dos relógios"
"O caso do trem desaparecido"
"O caso do homem alto"
"Os apuros de Sherlock Holmes"
"O caso do homem procurado"
"Alguns dados pessoais sobre Sherlock Holmes"
"O caso do detetive da coroa"
"O diamante da coroa"
"O aprendizado de Watson"

Apêndice
"Uma morte espetaculosa"
"O mistério de Sasassa Valley"
"Minhas aventuras favoritas de Sherlock Holmes"

Sinopse da editora:
“Os fãs do maior detetive da literatura mundial encontrarão neste livro doze histórias de Sherlock Holmes que normalmente não constam da obra de Arthur Conan Doyle com o seu mais famoso personagem. Peter Hanning, especialista em Sherlock Holmes, defende que Conan Doyle (1859-1930) nos legou, além de quatro novelas protagonizadas por Holmes, não apenas cinqüenta e seis contos, mas sessenta e oito contos no total. São essas doze histórias "extras" que o sherlockiano compilou, organizou e que compõem Aventuras inéditas de Sherlock Holmes. Os contos são verdadeiras histórias de aplicação da lógica dedutiva à solução de crimes e mistérios, à la Sherlock. São eles: A verdade sobre Sherlock Holmes, O mistério da casa do tio Jeremy, Bazar no campus, O caso do homem dos relógios, O caso do trem desaparecido, O caso do homem alto, Os apuros de Sherlock Holmes, O caso do homem procurado, Alguns dados pessoais sobre Shelock Holmes, O caso do detetive medíocre e O aprendizado de Watson. As histórias são acompanhadas pela peça em um ato O diamante da coroa, que nos mostra Holmes e Watson no inusitado formato teatral.Hanning, o organizador, lançou mão do mesmo espírito investigativo do protagonista para, em uma deliciosa introdução, esmiuçar cada uma das histórias, contextualizando-as dentro da obra do autor e justificando a sua pertinência no total de títulos com o célebre detetive, trazendo à tona informações e curiosidades sobre aquele que é um dos três personagens mais conhecidos da literatura inglesa, junto a Hamlet, de Shakespeare, e Robinson Crusoé, de Daniel Defoe."

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

33 - 1Q84

33 - Hakuri Murakami; 1Q84; Alfaguara; 2012; 430 páginas – Período de leitura: 21/11/12 - 12/12/12 


Comentário: 
Não sei se passei tempo demais lendo os clássicos ou se só a prosa de Dostoiévski me cativa ou ainda se realmente não gosto de literatura moderna – porque 1Q84 demorou um pouco a me apetecer. Não que ele seja ruim, não é isso, muito pelo contrario ele é ótimo! É que talvez Murakami trabalhe neste livro com um assunto que pra mim já está por demais banalizado: a solidão, tanto que demorei a perceber a mensagem impressa pelo autor. Outra questão é que pelo fato deste livro ser o primeiro de uma trilogia ele funciona mesmo é como uma introdução. Por esta razão a coisa demore um pouco a acontecer, por exemplo: já estamos quase no final do livro e Murakami ainda está apresentando os personagens, não que sejam muitos, são apenas dois os principais, porém, o narrador apresenta os personagens com uma riqueza de detalhes que você passa a conhecê-los tão bem quanto a membros de sua própria família. Com isso os personagens demoram um pouco se cruzar, (na verdade isto nem acontece neste livro), e suas tramas a deslanchar. No entanto quando este encontro está próximo de acontecer, já quase ao final do livro, você até desconsidera o elemento fantástico que contém o livro de tanta expectativa de que a trama se resolva, ao que parece, não acontecerá tão cedo.  


Sinopse da editora:
“Murakami é como um mágico que explica o que está fazendo conforme apresenta o truque, e mesmo assim faz parecer que tem poderes sobrenaturais (...) Qualquer um pode contar uma história que se pareça com um sonho, mas é raro o artista, como ele, que nos faz sentir como se nós mesmos a estivéssemos sonhando.” – The New York Times Book Review

“Murakami é um gênio.”– Chicago Tribune

“Brilhante (...) Murakami possui muitas dádivas, mas a principal delas é um dom quase sobrenatural para contar histórias dotadas de suspense.” – The Washington Post

"1Q84 é o livro mais ambicioso de Haruki Murakami, fenômeno da literatura contemporânea. A obra esteve no topo das listas de mais vendidos no mundo inteiro e, só no Japão, ultrapassou a marca de 4 milhões de exemplares vendidos. Dividido em três partes, o romance foi muito elogiado pela crítica e considerado um dos melhores livros de 2011 tanto pelo New York Times quanto pelo Washington Post.

Assumidamente inspirado na obra-prima de George Orwell, o título se situa no ano de 1984. No primeiro volume, Murakami apresenta Aomame, uma mulher que esconde a profissão de assassina. Em uma tarde no início de abril, ela está parada num táxi, em meio ao trânsito de uma via expressa de Tóquio. Temendo não chegar a tempo de resolver uma pendência no bairro de Shibuya, ela se vê diante de uma opção inusitada proposta pelo motorista: descer do veículo e seguir por uma escada de emergência em plena avenida.

Apesar de um estranho aviso do taxista, que diz que as coisas à volta dela se tornarão estranhas ao fazer algo tão incomum, Aomame segue a sugestão inicial. Após descer a escada de emergência e seguir seu caminho, ela repara aos poucos que certos aspectos da realidade se tornaram diferentes: por exemplo, as armas utilizadas pelos policiais não são mais pistolas e as manchetes nos jornais são completamente distintas em relação às que ela havia lido nos últimos dias.

Em paralelo à trama de Aomame, o professor de matemática e aspirante a escritor Tengo se envolve em um misterioso projeto de refazer um romance escrito por uma menina de 17 anos. Apesar do receio em assumir o papel de escritor fantasma de Crisálida no ar, um livro fantasioso e enigmático mas cheio de pequenos defeitos, ele se convence a realizar a tarefa. Mas, para isso, deve conhecer antes a autora, uma estranha jovem chamada Fukaeri.

À medida em que as histórias vão se alternando, Aomame continua a perceber diferenças sutis na realidade. Ela se dá conta que, ao descer a escada de emergência da via expressa, passou de alguma forma a habitar um mundo discretamente distinto – que acaba batizando de 1Q84. Já Tengo, aos poucos, passa a reparar em estranhas semelhanças entre a ficção fantasiosa de Fukaeri e a realidade, além de perceber que parece correr algum tipo de perigo quando se vê envolvido com uma misteriosa seita. De forma alternada, Murakami narra duas histórias que aos poucos convergem.

O autor afirma que a inspiração para escrever este e outros sucessos de público e crítica vem da observação da realidade. 1Q84 faz jus ao gênio de Murakami, entrelaçando as histórias e os dramas de Aomame e Tengo, além das estranhas distorções que vão se infiltrando em suas vidas. Ele mescla suspense e distopia numa saga pós-moderna, com mundos paralelos, assassinatos e estranhas seitas. Ao final, o autor constrói uma trilogia que fala de amor, abandono e mistérios que desafiam os limites do real."